O que fazemos | TIPS

Normalmente todo o sangue do intestino, estômago e baço, drena pela veia porta e é filtrado pelo fígado, liberando o sangue livre das toxinas produzidas pela digestão (fig. 1).

Fig. 1: A veia porta é formada pela união das veias que drenam o sangue do estômago, baço e do intestino.
Fig. 1: A veia porta é formada pela união das veias que drenam o sangue do estômago, baço e do intestino.

Quando o paciente é portador de cirrose hepática, ocorre um processo crônico de cicatrização e fibrose em torno dos ramos da veia porta que culmina com um aumento da resistência do fluxo de sangue para o fígado, levando a formação de ascite (barriga d’água) e desvio do fluxo de sangue para veias colaterais. Geralmente estas veias colaterais são veias do esôfago, estômago e intestino, que quando sobrecarregadas, podem romper e causar hemorragia digestiva, que pode ser fatal.

O tratamento definitivo para a cirrose hepática e seus sintomas é o transplante hepático, porém, na maioria dos casos, devido à gravidade dos sintomas, os pacientes não podem esperar o tempo necessário para a realização do mesmo. Atualmente, melhor tratamento para os sintomas da hipertensão portal, dentre eles, ascite refratária (“barriga d’água”), hemorragia digestiva, hidrotórax (“água na pleura”) e síndrome de Budd Chiari (trombose ou oclusão das veias que drenam o sangue do fígado) se chama TIPS (transjugular intrahepatic porto systemic shunt; traduzido como derivação portossistêmica intra-hepática por via transjugular).

O TIPS consiste em se criar uma comunicação entre a veia hepática (veia que drena o sangue do fígado em direção ao coração) e a veia porta, “desafogando” portanto, o sangue retesado e reduzindo o estado de hipertensão portal do paciente (fig. 2).

Fig. 2: Em A podemos ver a relação anatômica entre a veia porta e as veias hepáticas, assim com a presença de varizes esofágicas decorrentes da hipertensão portal. Em B, vemos a restituição do fluxo sanguíneo em direção ao fígado e, consequentemente o esvaziamento das varizes de esôfago, após o implante do TIPS.
Fig. 2: Em A podemos ver a relação anatômica entre a veia porta e as veias hepáticas, assim com a presença de varizes esofágicas decorrentes da hipertensão portal. Em B, vemos a restituição do fluxo sanguíneo em direção ao fígado e, consequentemente o esvaziamento das varizes de esôfago, após o implante do TIPS.

O procedimento é feito sob anestesia geral, através de um acesso venoso obtido por punção com agulha, da veia jugular interna direita no pescoço do paciente. Um sistema composto por um conjunto de cateteres é orientado, através de visualização em tempo real com raios-x, até a veia hepática. Com uma agulha, realizamos a punção da veia porta através do fígado, criando assim uma comunicação entre a veia hepática e a veia porta (fig. 3). Após a dilatação deste trajeto, implantamos um stent (prótese em formato tubular composta por uma malha de metal revestida com um tecido inerte ao organismo), que manterá o fluxo entre estas duas veias (fig. 4)

Fig. 3: Punção da veia porta através do parênquima hepático, obtendo-se uma comunicação entre a veia hepática e a veia porta.
Fig. 3: Punção da veia porta através do parênquima hepático, obtendo-se uma comunicação entre a veia hepática e a veia porta.
Fig. 4: Controle final pós implante do TIPS: Injeção de contraste através de cateter posicionado na veia porta demonstra fluxo sanguíneo entre a veia porta e a veia hepática, através do implante do stent no trajeto obtido com a punção.
Fig. 4: Controle final pós implante do TIPS: Injeção de contraste através de cateter posicionado na veia porta demonstra fluxo sanguíneo entre a veia porta e a veia hepática, através do implante do stent no trajeto obtido com a punção.

Durante o mesmo procedimento podemos realizar a embolização (oclusão endovascular) das varizes do sistema digestivo, além da mensuração do nível de hipertensão portal antes e após o procedimento, o que traduz a eficácia do mesmo.

O maior risco do procedimento é o desenvolvimento do que chamamos de encefalopatia, que é um estado de confusão mental gerado pelo aumento das toxinas absorvidas no intestino presentes na circulação sanguínea. Esta complicação pode estar presente em até 10% dos casos e em uma minoria pode evoluir para coma e óbito.

Atualmente, a taxa de sucesso da realização do procedimento é superior a 95% e a patência do stent em dois anos.

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