O que fazemos | Embolização de miomas uterinos

Posição dos miomas em relação ao útero
Posição dos miomas em relação ao útero

Os miomas uterinos, também conhecidos como leiomiomas ou fibromas, são tumores benignos que atingem até 40% das mulheres na idade reprodutiva.

Os miomas são mais freqüentes nas mulheres de raça negra, nuligestas (que nunca ficaram grávidas), obesas e naquelas com história familiar de miomas.

Em muitos casos os miomas são assintomáticos ou produzem poucos sintomas, não sendo necessário nenhum tipo tratamento. Porém, cerca de 50% das mulheres com mioma apresentam sinais e sintomas tais como:

Ressonância Magnética no plano sagital nas sequências T2 e T1 pós administração de contraste venoso antes (fileira de cima) e 8 meses após a realização de embolização de miomas uterinos (fileira de baixo). Na fileira de cima observa-se útero globoso, muito aumentado de volume devido a múltiplos miomas que apresentam importante realce / impregnação pelo contraste venoso. Após a embolização (fileira de baixo) observamos ausência de captação de contraste e redução dos volumes dos miomas, resultando em uma redução volumétrica do útero de 70% e resolução dos sintomas da paciente. Ressonância Magnética no plano sagital nas sequências T2 e T1 pós administração de contraste venoso antes (fileira de cima) e 8 meses após a realização de embolização de miomas uterinos (fileira de baixo). Na fileira de cima observa-se útero globoso, muito aumentado de volume devido a múltiplos miomas que apresentam importante realce / impregnação pelo contraste venoso. Após a embolização (fileira de baixo) observamos ausência de captação de contraste e redução dos volumes dos miomas, resultando em uma redução volumétrica do útero de 70% e resolução dos sintomas da paciente.

As principais opções para o tratamento do mioma são o tratamento clínico com o uso de hormônios, o tratamento cirúrgico com a retirada do mioma ou do útero (miomectomia e histerectomia, respectivamente) e o tratamento endovascular por embolização uterina.

Angio-RM do abdome, demonstranstrando de forma clara a anatomia vascular da paciente assim como os principais vasos nutridores dos miomas uterinos.
Angio-RM do abdome, demonstranstrando de forma clara a anatomia vascular da paciente assim como os principais vasos nutridores dos miomas uterinos.

O tratamento cirúrgico é o mais efetivo e o mais aplicado universalmente, porém acarreta esterilidade, além dos riscos de complicações durante e após a cirurgia como hemorragia, infecções, dentre outras.

A miomectomia (retirada cirúrgica dos miomas sem a retirada do útero) pode ser feita por técnicas menos invasivas como vídeo-cirurgia e histeroscopia, porém pode ser aplicada somente a um pequeno grupo de mulheres com poucos miomas e de localização específica (preferencialmente nos miomas chamados submucosos e subserosos).

O tratamento hormonal controla o crescimento e os sintomas relacionados aos leiomiomas, porém possui efeitos colaterais parecidos com aqueles produzidos pela menopausa como ondas de calor, redução da libido sexual, ressecamento vaginal, desmineralização óssea, depressão e cefaléias. Além disso, os sintomas relacionados aos miomas uterinos costumam recidivar quando o tratamento é interrompido.

O tratamento por embolização arterial é considerado um tratamento minimamente invasivo e consiste no entupimento das artérias que nutrem os miomas. A técnica consiste no cateterismo das artérias uterinas através da artéria femoral (punção na região da virilha).

Esse tipo de tratamento foi desenvolvido no início da década de 90, na França, mais precisamente no Hospital Lariboisière em Paris. Diversos outros estudos se seguiram e consolidaram a embolização uterina como uma opção segura e eficaz no tratamento dos miomas uterinos.

Esquema demonstrando o processo de cateterismo e embolização com micropartículas dos miomas uterinos.
Esquema demonstrando o processo de cateterismo e embolização com micropartículas dos miomas uterinos.

O tempo de internação e de recuperação é significativamente menor nas pacientes que são submetidas à embolização uterina quando comparado com o tratamento cirúrgico.

O procedimento é realizado sob anestesia local, raqui ou peri-dural e sedação leve, com a presença de um médico anestesista.

A embolização uterina também apresenta riscos. As complicações graves são raras. A maioria dos efeitos colaterais são leves. Dor, náuseas, vômitos e febre podem surgir nos primeiros dias após o procedimento.

A decisão sobre o melhor tipo de tratamento é tomada pelos médicos, mas sempre deve haver o consentimento do paciente.

Em caso de dúvidas não deixe de perguntar ao seu médico.

Acima cateterismo superseletivo das artérias uterinas direita e esquerda, sem e com subtração digital, demonstrando a anatomia vascular do útero e múltiplos miomas hipervasculares. À esquerda observa-se embolização satisfatória dos miomas (útero opaco devido a retenção de contraste) e artéria uterina preservada.
Acima cateterismo superseletivo das artérias uterinas direita e esquerda, sem e com subtração digital, demonstrando a anatomia vascular do útero e múltiplos miomas hipervasculares. À esquerda observa-se embolização satisfatória dos miomas (útero opaco devido a retenção de contraste) e artéria uterina preservada.

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